Inspire

Uma vivência de impacto no hospital, tempo, idéia, desejo e muita força latente para fazer acontecer, foram os elementos para construção desta “obra de arte “ chamada CARMIM.

Com essa soma matemática, comecei solitariamente o projeto Carmim, uma ONG com 15 anos de vida e muitos resultados para comemorar.

Desde seu nascimento teve objetivos muito claros e focados : levar as artes visuais e promover o acesso de suas linguagens a pacientes hospitalizados de todas a idades, preferencialmente com patologias crônicas, durante seu período de tratamento, além de dois programas, um direcionado a formação de jovens e adultos pela Carmim Escola Social de Arte unindo, arte, educação e empreendedorismo e o mais recente o Carmim Maturidade atuando com idosos de abrigos, um público ainda muito esquecido em nosso país.

No ano de 2012 teremos a Prefeitura de São Paulo e a Secretária Municipal de Assitência Social, como parceiras, onde iremos implementar o programa num de seus abrigos que acolhe 220 idosos provindo de situação de rua.

Como um processo de criação artística, não foi e não é simples idealizar um projeto e fazê-lo acontecer.Da mesma forma, implementar a Carmim foi um processo longo de aprendizagem e construção conjunta com os pacientes e seus demais públicos.

Não basta oferecer materiais artísticos. O fundamental é ter sensibilidade, estar com a percepção atenta, se colocar “no lugar do público alvo”, observando suas dores físicas, emocionais, morais e com a sabedoria e vivências da arte convidá-los para aprender, experimentar um processo de criação, os desafios, conquistas e o que se pode aprender com ele.

O primeiro impacto é constatar que mesmo na dor e fragilidade o ser humano, aquele que se encontra vulnerável, muitas vezes a margem da sociedade, sobretudo se for adultos e idosos, podem educar sua sensibilidade, o olhar tendo consciência de sua capacidade de criar tornando-se agentes de mudança de sua realidade no hospital, na sua comunidade, abrigo e causar impacto neste cenário com sua atitude e produção.

Nestes anos constatamos com a equipe médico hospitalar, jovens, profissionais da gerontologia, os seguintes resultados:

1. Pacientes, se tornam mais colaborativos no tratamento, pois percebem que não são somente “doenças”, mas possuem potenciais, sua estima melhora e consequentemente adere mais ao tratamento estimulando sua recuperação, além de reverter seu estado de passividade para atividade ( produtividade).

2.Jovens, restritos a sua comunidade e a rotina incerta do seu presente e futuro, se alimentam e exercitam criação, cidadania, e desenvolvimento de seus projetos sócio educativos tendo uma visão mais empreendedora para seu desenvolvimento pessoal ou coletivo, com uma formação que alia educação complementar a oportunidade de trabalho.

3. Idosos demênciados ou não, o repertório de suas histórias de vida, conteúdos e memórias se tornam ponto de partida no trabalho plástico. De forma lúdica, o acesso as atividades ( para muitos a primeira vez), colaboram para fortalecer suas funcionalidades, aprendizagem, cognição reforçando que arte não tem idade, mesmo na maturidade.

O resultado durante muitos anos, desde 1996, foram 8 hospitais, mais de 30.000 pacientes, 70.000 atendimentos (aulas de arte), um acervo de 3000 trabalhos artísticos, 33 exposições em hospitais, 600 alunos formados pela Carmim Escola, multiplicar a metodologia da Ong, retro – alimentar, gerar receita e impacto social.

Estamos com programas irmãos em cidades como : Rio de Janeiro, Petrópolis(RJ), Vitória(ES), Natal, Porto Alegre, Caxias do Sul(RS), Santa Maria (RS), Brasília, Salvador (BA) na cidade de São Paulo.

E por falar em geografia, em territórios urbanos, nos grandes países, é fundamental se referir há um momento de impacto forte para a Carmim : a crise econômica mundial, que rapidamente rompeu qualquer fronteira e nos fez uma das vitimas.

Em 2009, 2010 e 2011, foram anos de “dor” e crise. Ficamos e estamos sem investidores até o momento, entregamos a sede, local administrativo de formação pela Carmim Escola, dispensamos colaboradores, distribuímos móveis, equipamentos nas casas de amigos e familiares como abrigo.

Entretanto, tudo pela primeira vez parou e silenciou: os atendimentos dos programas da Carmim.

Assumimos o momento de “dor”, de perda, impotência. Aprendemos a necessidade de recuar, se distanciar, silenciar e respirar. Nada há de sensacionalismo neste momento da Carmim, mas sim humildade e maturidade.

Hoje, a palavra norte é INSPIRAÇÃO. O alimento é manter a missão, crença, valores e o mais importante a finalidade principal de toda Organização: seu público beneficiário.

Se contemplados nesta segunda participação um alto impacto da doação será :
- reversão imediata e concreta do cenário atual. rever o planejamento estratégico, investindo de forma assertiva na estrutura organizacional para ampliar gradativamente os programas e simultâneamente buscando novos investidores.

Em junho deste ano, como há 15 anos atrás, abri armários, caixas de materiais, fiz contato com hospitais mais carentes de atividades. Dois foram contemplados e novamente voluntariamente abordei os primeiros pacientes.

Ao circular pelos corredores frios dos hospitais com o carmimóvel, um carrinho repleto de materiais coloridos, com a marca, a cor da Carmim e o coração do seu idealizador “pulsando” ao sentir e ver os olhos de pacientes e colaboradores dos Hospitais: Darcy Vargas e Menino Jesus brilharem de luz e cores.

No quarto de minha casa, “escritório da Carmim”, passo dias entre telefonemas, contatos, participando de editais, enviando curriculuns, aprendendo com pessoas indicadas por verdadeiros amigos para um novo tempo.

Hoje estamos reinventando , construindo novas cores á Carmim.
Entre um café e outro, (hábito meu), vou a janela olho no horizonte…..
INSPIRO E EXPIRO…

Para saber mais acesse Carmim

bizukacorrea