Desenvolvendo Pessoas
Em 2004, um grupo de estudiosos em psicanálise e neuropsicanálise liderado
pelo Dr. Yusaku Soussumi fundou o Instituto Rukha. O objetivo era aplicar
essas áreas do conhecimento no meio social como forma de transformar a vida
de crianças e famílias em comunidades vulneráveis.
O trabalho começou com o mapeamento de 566 crianças que trabalhavam nos
faróis de esquinas movimentadas nas regiões de Pinheiros, Itaim e Vila
Olímpia. A partir desse levantamento, foi possível constatar que a maioria
delas provinha da zona sul da cidade, especialmente dos bairros do Capão
Redondo, Jardim São Luiz e Jardim Ângela.
Com o diagnóstico, o Rukha –que significa “sopro de vida” em aramaico–
instalou no Capão Redondo um posto de atendimento. A primeira preocupação
era retirar os garotos e garotas das ruas e garantir sua permanência na
escola formal. Mas o trabalho infantil era apenas uma das faces da condição
de extrema pobreza em que estavam imersas essas crianças e seus familiares.
São pessoas que estão de alguma forma expostas à negligência, violência, tráfico de
drogas e desagregação familiar.
Era preciso, portanto, atuar de forma mais ampla. E o Rukha foi pioneiro ao
integrar toda a família no mesmo processo de desenvolvimento. Em 2006, criou
o Projeto Virada, e 100 famílias foram chamadas a participar. Em 2008,
outras 100 foram incorporadas.
Uma equipe de 20 educadores foi formada para auxiliá-las por meio de visitas
semanais de 45 minutos de duração na casa de cada uma. As sessões funcionam
como um atendimento psicossocial individual e familiar. Em cada visita vai sendo construído o vínculo afetivo e a confiança para se tratar de diversos temas, como sonhos e projetos de vida, educação, saúde, dinâmica familiar, geração de renda, cidadania etc. Nesse processo, são acompanhados no desenvolvimento da atenção e percepção de si mesmos e da realidade que os cerca, ampliando o nível de conciência e autonomia para fazer suas próprias escolhas. Atualmente, o Virada atende cerca de 1.200 pessoas em São Paulo
“É como levar o divã para o meio social”, resume a presidenta do
Instituto Rukha, Dirce Rosa. “Buscamos antes de mais nada ajudar essas
pessoas a se darem conta de suas possibilidades e construírem seus valores e referências. Esse é o ponto de partida
para que possam conquistar sua autonomia e reinserção social”, acrescenta.
As visitas têm o propósito de fazer com que, aos poucos, cada indivíduo
tenha a percepção de sua importância, consiga identificar seus próprios
problemas e escape assim do círculo vicioso da dependência do
assistencialismo.
O trabalho é baseado em uma metodologia psicanalítica desenvolvida pelo CEINP (Centro de Estudos e Investigação em Neuropsicanálise), que fornece toda a base teórica do Rukha. A construção de vínculos afetivos, entre o educador e a família e entre os próprios membros de cada família, é um dos principais fundamentos do trabalho.
“O vínculo é elemento fundamental do desenvolvimento humano. A perda de relações afetivas gera um estado de crise permanente que afeta todos os aspectos da vida das pessoas”, diz a psicanalista Sonia Soussumi, uma das fundadoras do Instituto Rukha.
Além de desenvolver uma metodologia própria, o Instituto montou em torno de si uma rede de parcerias para integrar diversos segmentos e entidades do terceiro setor, universidades, governos e iniciativa privada. A atuação integrada garante um melhor aproveitamento de recursos, o que representa um
dos diferenciais do Instituto.
“A transformação que buscamos promover é na intimidade da família. Um
trabalho lento, de mudanças profundas”, diz o Dr. Yusaku Soussumi. A
expectativa é que a intervenção dure quatro anos –esse é o tempo estimado
para que os resultados apareçam na vida de cada indivíduo.
O primeiro balanço, realizado com as primeiras 100 famílias do projeto, apontam um saldo extremamente satisfatório nas áreas de educação, ocupação e renda, habitação, saúde, cidadania, projeto de vida e dinâmica familiar.
Consideramos 74 famílias, já que 26 foram consideradas inativas –seja por falta de interesse ou condições de estabelecer o contrato com o Instituto, seja porque mudaram para fora de nossa área de atuação. Do grupo considerado, colhemos os seguintes resultados:
• No Eixo Educação, 64% já percebem a importância da educação como um meio de desenvolvimento pessoal e inserção na sociedade.
• No Eixo Ocupação e Renda, 53% já estão no mercado de trabalho e
não mais dependem exclusivamente do auxílio-desenvolvimento concedido pelo Instituto; 15% já dispensam totalmente o benefício. Vale ressaltar que anteriormente o sustento provinha do trabalho infantil.
• No eixo Habitação, 50% encontram-se em melhores condições de
moradia, higiene, organização e limpeza, noções de privacidade e intimidade.
• No eixo Saúde, aproximadamente 68% já compreendem a necessidade de
cuidados básicos de prevenção, higiene pessoal, alimentação, qualidade de
vida e lazer, e 16% não necessitam de intervenção dos educadores neste
sentido.
• No eixo Cidadania, 60% estão adquirindo a noção de seus direitos e
deveres na sociedade e 15% já possuem essa percepção plena.
No eixo Cidadania, 60% estão adquirindo a noção de seus direitos e
deveres na sociedade e 15% já possuem essa percepção plena.
• No eixo Projeto de Vida, aproximadamente 57% estão colocando em
prática ações para alcançar seus objetivos e outros 10% do grupo já colhem
os frutos de suas ações.
Das 74 famílias atendidas desde o início, consideramos que 18 alcançaram a
autonomia plena na maior parte dos eixos, com condições de se tornarem
multiplicadoras da metodologia do trabalho.
Para saber mais acesse Rukha


