Modelo Colaborativo de Inclusão

Desde que o Baixo Sul da Bahia enfrentou a crise da lavoura de cacau, tenta se adaptar à nova dinâmica. Agricultores familiares se organizaram para atender a este novo contexto, lentamente fazendo surgir o cooperativismo na região. Assim nasceu a Coopalm, que vem construindo um modelo cooperativista sustentável e profissionalizado, em uma região exuberante, mas de cultura assistencialista.

Nos primeiros anos, a atuação da Coopalm se dava basicamente na comercialização de poucas hastes de palmito in natura, gerando pouco valor agregado, com escassos resultados.
Para mudar a realidade, em uma primeira etapa era imperativo sobreviver e crescer, de modo sustentável, considerando que o desenvolvimento sustentável não admite privilégios que levam à exclusão social. É preciso um modelo de remuneração justa, admitindo que a integração e parceria entre instituições é a melhor forma de atingir e multiplicar resultados.

Em 2005, negociações foram feitas com a Mata do Sossego, assentamento rural de histórico não diferente de tantos outros – projetos abandonados, dificuldade de escoar a pequena produção e nenhum acesso à crédito. Era a oportunidade para testar o novo modelo, fortalecer o assentamento e a Coopalm ampliando produção, produtividade e renda. Foram delineadas algumas metas:
- Obter recursos financeiros para implantar ou ampliar o plantio pelo PRONAF, interrompido na região face à elevada inadimplência. Negociaram e conquistaram a confiança e parceria do Banco do Brasil.
- Ampliar a produção e produtividade, através da intensificação e qualificação da assistência técnica, e do sistema de qualidade e rendimento, remunerando de forma diferenciada os produtores conforme as hastes entregues à cooperativa e ampliando a qualidade do produto e a aceitação do mercado.
- Profissionalizar o sistema de gestão, tornando-o mais inclusivo. Aqui reside uma grande inovação, a criação dos Fundos Rotativos de Inclusão, para que os produtores não percam a época propícia ao plantio enquanto aguardam a liberação do crédito do PRONAF, mantidos pela taxa administrativa paga por quem os utiliza.
- Industrialização e comercialização do palmito. Era necessário alcançar uma maior competitividade, em um mercado onde são comuns produtos de origem duvidosa. Aqui tem início relações surpreendentes de parceria com organizações privadas, normalmente não dispostas a negociar lucros – Foi formalizada a Aliança Cooperativa do Palmito, fundamentada em conceitos como confiança e colaboração. Dela participaram inicialmente a Coopalm, a indústria de beneficiamento Ambial, e as redes varejistas, aqui chamadas de parceiros sociais.

A Coopalm garante a quantidade, a constância e qualidade na produção. A Ambial confere qualidade ao produto final e amplia as possibilidades de comercialização. Os Parceiros Sociais ganham em imagem, disponibilizando os produtos para seus clientes de forma diferenciada, estimulando o consumo consciente e o comércio justo.
Restava iniciar uma segunda etapa, de alcance da sustentabilidade, através da perpetuidade dos aprendizados e dos resultados. Para isso, integrou-se os capitais humano e produtivo, através da inclusão de jovens, filhos e filhas de cooperados, no conjunto das ações desenvolvidas.
Assim, a Coopalm apoiou a constituição da Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFRI), uma OSCIP de caráter educacional, que oferece aos jovens uma formação profissional que alie a cultura e o saber tradicional ao conhecimento científico e tecnológico, fazendo chegar este conhecimento às suas famílias e comunidades.
Hoje, com a integração da CFRI aos demais parceiros, a Aliança Cooperativa evoluiu para Aliança Cooperativa Estratégica, e apóia as famílias que as compõem a se tornarem fortes, pelos ganhos em escala em uma cooperativa e por estarem formando uma nova geração de filhos de cooperados.

O resultado desta integração entre OSCIP e Cooperativa é um produto de alta qualidade, social e ambientalmente correto. A CFRI oferece à Coopalm novas tecnologias e a formação de seus filhos em melhores cooperados, e a Cooperativa destina seus fundos de educação para sustentar a CFRI, em um ciclo “fechado” de sustentabilidade.
Hoje, são 04 assentamentos agrários integrados à Coopalm, certificando este Modelo. O primeiro resultado prático foi a evolução da renda mensal das 503 famílias cooperadas, de R$ 150,00 para R$ 680,00. O segundo, diz respeito à grande quantidade de agricultores da região que também beneficiam-se diretamente do retorno do PRONAF.
Houveram também benefícios ao meio ambiente. As famílias deixaram de viver da caça e derrubada de árvores e passaram a plantar. Iniciaram um processo voluntário de reflorestamento, multiplicando espécies da Mata Atlântica.
Mostrou-se na prática, que a agricultura familiar com tecnologia, organização, cooperação e crédito responsável, pode ter sucesso.
Agora, surge um novo desafio – Multiplicar está experiência exitosa e transformá-la num projeto mais mais abrangente e de maior resultado e impacto na região.

Para saber mais acesse Coopalm

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