Pandavas, lição de perseverança

No ano de 2010 fui convidada a conhecer um Instituto de Educação no sopé da serra da Mantiqueira, com a promessa de que era um mundo melhor, pensei: – Meu Deus o que vou fazer lá, ver uma escola como outra qualquer! E foi ai que me enganei. Chegando ao… [+]

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No ano de 2010 fui convidada a conhecer um Instituto de Educação no sopé da serra da Mantiqueira, com a promessa de que era um mundo melhor, pensei: – Meu Deus o que vou fazer lá, ver uma escola como outra qualquer! E foi ai que me enganei. Chegando ao portal de entrada do Instituto já me apaixonei pela causa, pelo local e pelas pessoas, hoje, mesmo morando a aproximadamente 102 quilômetros de distancia, assumi as aulas de EPSA (Educação para o Pensar , Sentir e Agir), e Captação de Recursos, a fim de ajudar esse mundo melhor que aqui é possível.

O Instituto Pandavas foi constituído e fundado pela Associação Palas Athenas do Brasil, em 1977, no município de Monteiro Lobato, bairro do Souza. Nasceu como lar para crianças em situação de abandono onde como exemplo de amor ao próximo para nós o casal Primo e Mara adotavam as crianças carentes da cidade e levavam para cuidar no Instituto, todas as crianças eram adotadas legalmente pelos dois somando um total de 14 crianças. Com a necessidade inerente de educá-las, eles fundam dentro do Instituto o Centro Pedagógico Casa dos Pandavas, uma Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental que atende atualmente 150 crianças e adolescentes dos diferentes segmentos sociais da cidade, principalmente famílias de baixo poder aquisitivo, basicamente rurais, em regime de gratuidade. Ao longo de sua trajetória de 34 anos dedicados à educação, seu principal propósito é impulsionar o caminho em direção ao fortalecimento das comunidades no campo, por meio de uma educação de qualidade, uma das caudas do êxodo rural para os grandes centros. Constitui-se como uma experiência pioneira de educação e convivência entre os diferentes grupos da comunidade, pesquisa e aprendizado de métodos pedagógicos de diversas culturas que possam adequar-se e favorecer a realidade local.

Além da educação formal, o Instituto Pandavas promove seminários pedagógicos para a formação de educadores, projetos de alfabetização de jovens e adultos, oficinas semiprofissionalizantes para adolescentes: Artesanato, Capoeira, Cerâmica, Dança Circular e Folclórica, Coral, Desenho Artístico, Flauta, Mosaico, Papel Artesanal, Teatro, Violão, Marcenaria, Horta Orgânica, Culinária entre outros. Mantém um Museu de História Natural – construído dentro dos princípios da arquitetura orgânica – e atua em projetos dentro da comunidade, enfatizando atividades que ampliem seu universo cultural.
A Educação Ambiental assume papel de destaque em iniciativas como o Projeto Trilha, que aborda, entre outras coisas, a importância da preservação das nascentes e a valorização da vegetação nativa. O Projeto 3Rs, que explora possibilidades de redução daquilo que chamamos de lixo, mostra técnicas de reutilização e reciclagem dos materiais.
Outro diferencial do Instituto é a metodologia empregada na resolução de conflitos. Por meio de um atendimento individualizado, de reuniões específicas envolvendo problemas coletivos e, principalmente através das assembléias, procura-se incentivar o diálogo como ferramenta primordial para abordar relações conflituosas, seja entre alunos, professores ou pais.
Contudo, no ano de 2008 o Centro Pedagógico Casa dos Pandavas, por questões financeiras perde o custeamento pela sua mantenedora Palas Athenas, com isso as dificuldades começam a aparecer, sem dinheiro algum para manter a escola e o instituto e pagar seus professores, decidem por fechar, porém, o grupo de professores e pais resolve fundar o Instituto Pandavas com um novo CNPJ, com o único objetivo de dar continuidade às ações do Centro Pedagógico e não ter que colocar as 150 crianças atendidas na rua.
Atualmente, a entidade não conta com uma fonte permanente de recursos, tem sido mantidas, parcialmente, através de eventos beneficentes promovidos pela Comissão de Pais, doações de alguns associados e o trabalho voluntário de pais, amigos e aqueles que um dia forma alunos e filhos da escola, ou seja, todos voluntários em manter os ideais da escola e uma educação de qualidade.
Toda a manutenção física tem sido possível através de mutirões realizados por pais, professores e amigos. E as atividades docentes têm sido realizadas graças ao trabalho voluntário dos professores habilitados.
Infelizmente, este modelo de educação diferenciada, que articula a educação escolar como tratamento das questões sociais e do meio ambiente, precisa da sua colaboração para continuar existindo, está passando por grandes dificuldades, pois por e tratar de trabalho voluntário, muitos professores estão indo embora e mais uma vez a escola está correndo o risco de fechar suas portas. Estamos lutando pelo CEBAS para que assim possamos caminhar com a captação de recursos, porém, tudo leva tempo, o que realmente o Instituto Pandavas hoje, não está tendo.
Todo esse esforço pra continuar com o Instituto tem um único objetivo: plantar e semear sementes, criar alunos multiplicadores de conhecimentos e vivências adquiridas, assim como temos em nosso espaço professores voluntários que foram alunos, queremos continuar formando propagadores de uma consciência humanista e de princípios éticos e socioambientais, ambos necessários para este tempo carente de valores.
O fundamental é a formação dessas crianças; futuros professores, vereadores, prefeitos, mecânicos, agricultores, pedreiros… que, independentemente de suas profissões, tornem-se agentes sociais e que não sejam meros soldados da consciência coletiva, mas que pensem e tomem decisões autônomas.
O ano de 2012 até o momento é uma incógnita para todos, pois apesar de TODOS os esforços para manter a escola aberta, o tempo está passando e a solução não aparece.
Como visão pessoal, acredito que o Instituto age todos os dias no alicerce da sociedade Brasileira, a EDUCAÇÃO de crianças, jovens e adultos. Preza pelo ambiente que vivemos e acredita em nossa comunidade escolar, ou seja, são corajosos e visionários, pois, há 34 anos desenvolvem um Projeto de Educação contando com pessoas que pensam no amanhã, agindo no hoje.
Concluo que o Centro Pedagógico Casa dos Pandavas desponta como um verdadeiro Oásis, uma escola modelo, com uma proposta pedagógica diferenciada, testada e já comprovada há três décadas. Graças ao idealismo e o esforço concreto de pessoas abnegadas, genuinamente preocupadas com a humanização da Educação, o Centro Pedagógico Casa dos Pandavas vem formando cidadãos com senso crítico, iniciativa, criatividade, independência e responsabilidade social.
Este modelo educacional diferenciado, neste momento, longe de desaparecer, precisa ser adequadamente valorizado para que, efetivamente, saia de sua concha e possa se transformar em referência no ensino para crianças e adolescentes.
Acredito que o homem pode ser um agente transformador do meio em que vive, por isso, quem visita o espaço do Instituto, pode perceber um elo de harmonia, reforçado pelo equilíbrio da natureza de Monteiro Lobato. O diferencial da escola, não está apenas no espaço físico, e sim nas pessoas que o integram: a comunidade favorecida pelo projeto, os professores com uma visão mais refinada, os idealizadores e as relações que entre todos se estabelecem.
Conheci esse lugar, onde TODOS os dias são dados exemplos de mor ao próximo e ao seu futuro; onde todos dedica-se ao máximo em desenvolver uma educação de qualidade, uma alimentação de qualidade, uma recreação de qualidade e um futuro de qualidade e esperança pra essas crianças.
Pensamos que nossa educação está fadigada e que não há luz no final do túnel, então precisamos conhecer um pouco mais da força e coragem das pessoas que constituem esse Instituto, pois vislumbrei o verdadeiro sentido da frase “Sou brasileiro e não desisto nunca”.

Responsável por essa redação: Jucinéia Maria de Oliveira, pedagoga, voluntária do Instituto ha 7 meses e recém apaixonada pela “causa”.

Para saber mais acesse Pandavas