Vaga Lume: educação na Amazônia
Imagine esse lugar: a maior bacia de água doce do planeta, gigantescas reservas minerais e a maior floresta tropical da Terra. Na floresta, entre pequizeiros, igarapés e lendas, comunidades de homens, mulheres e crianças, os verdadeiros guardiões desta riqueza.
Foi num lugar como esse, uma pequena comunidade da Ilha do Marajó, com o singelo nome de Vila do Céu, que em janeiro de 1999, que foi dado o primeiro passo: nos imaginamos participando da rotina de lugarejos da grandiosa Amazônia, contribuindo com o seu desenvolvimento e preservação.
“O homem que não viaja e não conhece toda a extensão de sua terra é uma rã de poço”, diz o provérbio indiano. Em lugar da metáfora da rã de poço, entra em cena o vaga-lume, um inseto que, como nós, é pequenino e brasileiro e que deixa rastros de luz por onde passa.
Viajar é uma experiência tão rica, por que não compartilhar isso com os outros? Afinal, como dizia Fernando Pessoa, “para viajar, basta existir”. Foi escolhido para isso o melhor e mais seguro meio de transporte: o livro. No intuito de possibilitar a crianças desse Brasil muitas viagens pelas terras férteis da imaginação e da fantasia.
Foi com toda essa inspiração que foi criada a Associação Vaga Lume em outubro de 2001. O público alvo escolhido foram as crianças, jovens e adultos moradores de comunidades rurais da Amazônia, região que compreende os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Uma área que ocupa 59% do território do Brasil, concentrando mais de 30% da biodiversidade do planeta, com uma população de mais de 20 milhões de pessoas, dos quais 42% sobrevivem com menos de 0,5 salário mínimo por mês (aproximadamente 150 dólares mensais ou 5 dólares por dia) . Trata-se de uma região remota, em que o acesso a educação e à cultura, ainda que sejam direitos sociais básicos previstos na Constituição Federal brasileira e em tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil, é bastante limitado.
A Vaga Lume busca promover o acesso à educação e à cultura por meio do investimento em seres humanos, acreditando ser esta a melhor estratégia para transformar a realidade. Daí porque sua missão é criar oportunidades para intercâmbios culturais por meio da leitura, da escrita e da oralidade valorizando o protagonismo de pessoas e de comunidades rurais da Amazônia Legal brasileira. Entre suas principais linhas de ação estão a criação de bibliotecas comunitárias, o incentivo a gestão local e a formação de lideranças na área de cidadania e educação, as ações de intercâmbio cultural entre comunidades rurais da Amazônia e comunidades urbanas de São Paulo, a valorização do patrimônio histórico das comunidades por meio do registro das histórias orais e, por fim, as publicações que dão visibilidade à cultura da Amazônia.
Ao longo de praticamente uma década, a Vaga Lume: distribuiu mais de 80.000 livros novos de literatura para 169 bibliotecas comunitárias; formou 2.396 mediadores e 312 multiplicadores da metodologia; e, ainda, atingiu com suas ações mais de 23.000 crianças e jovens das comunidades rurais da Amazônia Legal brasileira. Sua atuação foi reconhecida pelo Prêmio Objetivos do Milênio, promovido pela Organização das Nações Unidas e pelo Governo Federal em 2005 e pelo Prêmio Mérito ao Desenvolvimento Regional da América Latina e Caribe Juscelino Kubitschek, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), 2009. Recebeu também o Prêmio Vivaleitura, do Ministério da Educação e Ministério da Cultura, 2008; e o Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente, do Ministério do Meio Ambiente, 2006 e 2008.
Contar histórias, coletar histórias, registrar histórias e criar novas histórias foram as formas escolhidas pela Vaga Lume para intervir no mundo. São histórias de pessoas se encontrando com livros, pessoas se encontrando com outras pessoas, adultos se encontrando com crianças, crianças se encontrando com os sábios da melhor idade.
Através da literatura, das expedições, dos encontros de formação e do intercâmbio a Vaga Lume busca a expansão da visão de mundo de crianças e adultos. Acreditamos que o caminho para ampliação da consciência deve passar necessariamente pela pesquisa das nossas raízes, da nossa identidade. A literatura, as expedições, os encontros de formação e o intercâmbio fortalecem esse espaço íntimo de consciência. Pessoas conscientes constroem uma sociedade sustentável. Para a Vaga Lume, o investimento no desenvolvimento cultural das pessoas é a chave para a construção de um planeta sustentável.
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