Uma história de amor

A Fundação Julita foi criada por amor e para fazer o bem. Seu fundador, Antônio Manoel Alves de Lima, filho de um grande cafeicultor, tinha sangue de empreendedor e também era um homem apaixonado. Uma noite teve um sonho com sua esposa falecida, Julita Prado Alves de Lima, que lhe… [+]

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A Fundação Julita foi criada por amor e para fazer o bem. Seu fundador, Antônio Manoel Alves de Lima, filho de um grande cafeicultor, tinha sangue de empreendedor e também era um homem apaixonado.

Uma noite teve um sonho com sua esposa falecida, Julita Prado Alves de Lima, que lhe pediu para construir uma escola em uma região muito ensolarada. E foi o que ele fez. Comprou o terreno, escolheu a melhor localização e fez mais uma última homenagem, colocando o nome de sua amada na organização não-governamental, fundada em 1951.

O fundador construiu então uma escola rural da 1a a 4a série para 30 alunos, além de quatro casas para abrigar famílias pobres de migrantes rurais. Ali, as famílias moravam, plantavam e podiam vender sua produção de forma cooperada.

Entre os anos de 1980 e 1990, a organização firmou convênio com as Secretarias Municipais de Educação e de Assistência Social e Desenvolvimento Social, instituindo seus quatro programas de atendimento existentes até hoje.

O primeiro deles, o Centro de Educação Infantil, tem um projeto pedagógico que atende mais de 300 crianças de 1 mês a 4 anos.

Educandos entre 4 a 14 anos participam de atividades socioeducativas (oficinas de artes visuais, percussão, dança, comunicação e expressão, criação, ação política, educação ambiental, esportes e mediação de conflitos).

Após os 14 anos, os jovens da comunidade podem participar do curso de Qualificação Profissional, que oferece formação técnico-profissionalizante em diversas áreas e encaminhamento para o mercado de trabalho.

Por fim, há o trabalho com a Terceira Idade, com atividades esportivas, de lazer, culturais e de geração de renda.

Os beneficiários, em torno de 1.200 por dia, fazem uma ou mais refeições na Fundação. Crianças e adolescentes frequentam a organização no contraturno escolar, na parte da manhã ou da tarde; no outro período precisam ir à escola (o índice de frequência escolar é de 100%). Muitos deles só precisam atravessar uma porta, aberta nos intervalos para dar acesso à escola pública estadual que divide o muro com a Fundação e recebeu o nome de Antônio Manoel.

Aos fins de semana, a Fundação Julita oferece diversas atividades para toda a comunidade.

As crianças das escolas do entorno frequentam a biblioteca comunitária (aberta todos os dias da semana e com acervo de mais de 15 mil livros) e podem fazer visitas monitoradas na trilha ecológica que leva a fazendinha e reúne diversos animais.

Por conta das atividades multidisciplinares, desde 2007, foram criados quatro centros de suporte e referência na Fundação: Centro de Saúde, de Esporte, de Cultura e de Educação Ambiental. O Centro de Saúde oferece atendimento gratuito em clínica geral, odontologia, psicologia, psicopedagogia, fonoaudiologia e nutrição; beneficiando educadores, educandos e seus familiares. Na região, não existe outra iniciativa similar.

O projeto pedagógico da organização está alinhado com as políticas públicas de Educação e de Assistência Social e visa proporcionar um desenvolvimento integral dos educandos em seus aspectos: físico, cognitivo, emocional, social e cultural. O objetivo é contribuir para que cada indivíduo se torne protagonista para a transformação de sua vida e da sociedade.

Deise Lilian Lima Martins é um exemplo desse trabalho de mais de 60 anos com ênfase na família, na educação e na cidadania. Aos quatro anos, ela viu sua família passar por uma grande dificuldade: seu pai ficou desempregado e a mãe assumiu o sustento da casa desde então. Uma situação que poderia desagregar o contexto familiar transformou-se em oportunidade, graças também à Fundação Julita.

Deise e a irmã fizeram vários cursos na Fundação; da Educação Infantil à Qualificação Profissional. Ambas foram encaminhadas para trabalhar no Banco do Brasil, umas das empresas parceiras da organização. Depois, Deise foi selecionada em um projeto seletivo da Unilever, outra parceira da Fundação, concorrendo com 300 candidatos para cinco vagas. Neste ano, ela está se formando em Direito e pode ser direcionada para a área jurídica da multinacional.

A mãe de Deise é funcionária da Fundação Julita há 15 anos. Sua sobrinha, de três anos, estuda na creche. A irmã entrou para a faculdade de Administração e acabou de conseguir estágio em um banco.

Em relação ao futuro, Deise disse ter planos para prestar concurso para a defensoria pública ou se especializar em direito previdenciário ou trabalhista. “Acredito que não devemos esquecer nossas raízes e de alguma forma retornar o que recebemos para a comunidade”, diz.

Também faz parte de seus planos continuar o trabalho como voluntária, pois tem percebido cada vez mais que as crianças necessitam de conhecimento e orientação em relação ao futuro. “A Fundação é como minha segunda casa, é a vida da minha mãe. Comentei com meu namorado que seria o lugar ideal para os nossos filhos estudarem”, conclui ela, revelando que a organização vai continuar acolhendo as próximas gerações de sua família.

Para saber mais acesse: Fundação Julita