ONG empresta perucas a mulheres com câncer

Criada em 2010 por duas irmãs, a Fundação Laço Rosa faz empréstimos de perucas em todo o país

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“É claro que tudo foi um baque, mas o que mais a derrubou foi quando, ao pentear os cabelos, ela viu tufos e tufos caindo no chão”, diz Andrea Ferreira, irmã da empresária carioca Aline Lopes, morta em 2010 devido a um câncer agressivo. Caçula numa família com três filhas, Aline descobriu um nódulo no seio direito quando estava no quinto mês de gestação de seu primogênito. O caroço no seio foi o começo de uma jornada que a levou à mesa de cirurgia para a remoção total da mama e ao tratamento com 16 seções de quimioterapia. Seu tumor estava em estágio avançado. Mesmo assim, o bebê nasceu saudável e Aline respondeu bem ao tratamento. Dois anos mais tarde, no entanto, foi diagnosticada com metástase óssea.

Ao mesmo tempo que enfrentava a doença, Aline trabalhou na construção da Laço Rosa, ONG que ainda conseguiu ver inaugurada, um mês antes de sua morte. Hoje, a Laço é pioneira na formação de um banco de perucas, projeto único no Brasil, que empresta próteses capilares para mulheres em tratamento contra o câncer. Andrea, junto com a irmã Marcelle Medeiros, é a responsável por levar adiante o legado inovador da caçula. Entregar a peruca significa devolver autoestima a mulheres fragilizadas pela perda do cabelo, um dos símbolos mais fortes de feminilidade. A ideia do banco de perucas surgiu no momento de maior dificuldade de Aline: quando se viu sem seus cabelos, um dos efeitos colaterais esperados da quimioterapia. “A Aline se assustou mais com a queda do que com a notícia do câncer de mama”, afirma Andrea, que já enfrentou um câncer na tireóide.
ZONA SENSÍVEL
Paradoxalmente, Aline nunca usou peruca, assumindo a careca durante o tratamento e valendo-se de brincos, lenços e maquiagem para não ser estigmatizada como doente. Mas não deixou de notar como a ausência dos cabelos afetava o ânimo de mulheres na mesma situação, a ponto de muitas não saírem de casa. Foi o insight para a criação do que hoje é considerado o principal pilar de atuação da ONG, que mantém um site onde divulga informações sobre o câncer de mama, tira dúvidas e facilita a troca de experiências entre as pacientes.
Para entrar no programa de aquisição de uma peruca, a paciente preenche um cadastro no site, no qual, além dos dados pessoais, anexa também o laudo médico e duas fotografias, de antes e depois da queda dos cabelos. As imagens servem de referência na busca da peruca ideal. Uma vez encontrada, o visagista da equipe faz uma montagem computadorizada e a envia à paciente. Se aprovar, ela recebe a peruca em casa e pode usá-la o tempo que for necessário. O processo todo, do pedido ao recebimento, leva 30 dias.

Confira a reportagem completa no site de Marie Claire.