Moda como agente social

Estudante cria projeto para trabalhar com o que gosta e ajudar meninas carentes da região de Belo Horizonte

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Por Luanda Vieira

Entre três empregos e a faculdade de jornalismo, Nádia Schmidt, 21 anos, arruma tempo na agenda para cuidar da maquiagem e fazer as unhas. E não pense que são as dela. A mineira se desdobra para transformar a vida de meninas que moram em comunidades carentes de Belo Horizonte.

“Usando o melhor lado da moda para ajudar quem precisa”, o Moda Social foi criado para mostrar que trabalhar com a área de beleza vai além da futilidade. Junto a outros voluntários, Nádia oferece informações de estética para gerar renda ou para melhorar a autoestima de garotas da região.

A iniciativa nasceu em 2012, quando a fundadora, sozinha, resolveu dividir os seus conhecimentos de moda, imagem e mercado com quem não tem acesso a esse conteúdo. Ela formatou uma logomarca e o site, preparou releases para a imprensa e fez a divulgação boca a boca até atingir os primeiros resultados. “Eu ficava pensando como poderia usar a moda a favor das pessoas e, aí, um dia acordei com o projeto todo pronto na minha cabeça”, diz Nádia Schmidt, fundadora e organizadora da iniciativa.

Com a ajuda de 140 voluntários cadastrados, o projeto organiza palestras e workshops, além de levantar doações de produtos de beleza para creches, escolas e abrigos. Desde o início, cerca de 40 pessoas já foram beneficiadas com a ideia de Nádia. “O número de pessoas que atendemos depende da ação que vamos fazer, do espaço que escolhemos e da quantidade de meninas nas instituições”, explica Nádia.

A creche Bem-Me-Quer é um dos lugares que recebeu o MS. Foram duas horas – tempo estipulado pela coordenação – para ensinar conceitos de maquiagem e manicure para as garotas. O momento acabou sendo útil, também, para conhecer e compartilhar histórias. “A iniciativa foi muito importante para as meninas. Elas aprenderam truques de maquiagem e passaram uma tarde agradável e diferente, que levarão para a vida inteira”, diz Ana Paula de Oliveira Santos, coordenadora da creche Bem-Me-Quer.

Nádia conta que após a ação, algumas das adolescentes passaram a praticar as técnicas adquiridas entre as amigas e as vizinhas, e hoje “conseguem ganhar uma graninha”. “Eu quero fazer com que essas meninas conheçam uma nova vocação, entrem no mercado de trabalho e se valorizem ainda mais”, diz.

Ter uma sede própria é um dos maiores desejos da fundadora. A doação do Projeto Generosidade seria o início da realização desse e de mais alguns sonhos. “Outra vontade é ter um transporte para buscar e levar o pessoal das instituições, além de comprar produtos para os kits de maquiagem, cabelo e manicure. O bom mesmo seria criar fundos para que as meninas possam financiar o próprio negócio”, conta Nádia ao se imaginar com a doação. E as intenções da estudante não param em Belo Horizonte. “Quero poder levar o MS para outros Estados, montar salões, fazer sorteios de cursos profissionalizantes e contratar pessoas para trabalhar comigo”, explica.

Clique aqui para assistir ao depoimento de uma das meninas da creche Bem-Me-Quer.