Uma fazendinha na periferia

Organização oferece educação ambiental e mantém área da Mata Atlântica preservada em São Paulo

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(Foto: divulgação)

A Fundação Julita, organização não governamental, atua há 62 anos na comunidade do Jardim São Luís, periferia da zona Sul de São Paulo. A Fundação atende gratuitamente 1.300 crianças, jovens e idosos de baixa renda por meio de atividades socioeducativas. Nasceu para abrigar famílias de migrantes rurais que precisavam de apoio profissional, educacional e de saúde para viver na cidade grande. Agora trabalha no resgate do vínculo perdido entre o homem e a natureza. A Fundação Julita foi criada por Antônio Manoel Alves de Lima em homenagem a sua falecida esposa.

A Fundação fica em uma região carente e populosa da cidade, composta por vários núcleos de favelas e morros de construções não planejadas e infraestrutura insuficiente. O que prevalece é a falta de árvores, bichos sendo criados nas ruas, lixos espalhados a céu aberto, falta de saneamento básico etc. Questões ambientais precárias que exigem uma formação ambiental contundente e a adoção de soluções sustentáveis para minimizar os impactos ao meio ambiente.

Em contraponto a essa situação, a Fundação Julita é um espaço singular na comunidade, um dos únicos remanescentes de área verde do Jardim São Luís. São mais de 40 mil m², incluindo 16 mil m² de Mata Atlântica secundária, mais de 5 mil árvores de 283 espécies diferentes, e dezenas de animais. Entre eles vacas, ovelhas, pavões, galinhas, patos e cavalos.

Com 62 anos de atuação, a Fundação Julita possui quatro programas de atendimento: Programa Castanheira (Educação Infantil) – para alunos de 4 meses a 4 anos; Programa Ipê-Amarelo (Educação Complementar) – de 5 a 14 anos; Programa Paineira (Educação para o Trabalho) – de 15 a 17 anos; Programa Araucária (Núcleo de Convivência do Idoso) – atendidos acima de 60 anos.

(Foto: divulgação)

Os programas oferecem gratuitamente atividades socioeducativas, culturais, ambientais, de lazer e esporte durante os cinco dias da semana nos períodos da manhã e da tarde. Todos os beneficiários realizam de uma a cinco refeições por dia na organização. Desde 2007, foram desenvolvidos quatro centros de suporte e referência que atuam em todos os programas, tanto na parte prática como teórica. São eles: Centro de Saúde, de Educação Ambiental, de Esporte e de Cultura. Além disso, oferece serviço social, biblioteca comunitária, quatro quadras poliesportivas, fazendinha com animais, visitação para escolas, oficina de informática e playgrounds.

Os educandos internos recebem formação em educação ambiental aprofundada, que inclui atividades lúdicas, apropriadas para cada idade, contendo informações a respeito da fauna e flora local, além de conceitos de biologia, sustentabilidade e alimentação, como cuidados com a água e soberania alimentar.

O resultado é a formação de agentes ambientais mirins, que cuidam do espaço, zelam pelos animais, entendem e aplicam conceitos de sustentabilidade, exercitam a criação de habitat sustentáveis e começam a ter uma postura diferente em relação ao meio ambiente. Um exemplo é o grupo de crianças na faixa etária de 4 a 5 anos que formam o Programa Ipezinho, da Fundação Julita, e resgataram um pica-pau.

(Foto: divulgação)

Aos sábados e domingos, a Fundação abre as portas para a comunidade com atividades de lazer, cultura, esporte e integração ambiental e serve lanche aos participantes inscritos nessas atividades. A missão da Fundação Julita é atender crianças, jovens e famílias em situação de vulnerabilidade social por meio de ações socioeducativas que promovam o exercício da cidadania. O objetivo é atuar com os três pilares fundamentais ao desenvolvimento humano: a criança/jovem, a família e a escola.

Como estratégias, a Fundação permite que moradores do entorno, escolas públicas da região e projetos sociais interessados, inclusive que atendem deficientes, visitem a Fazendinha sob a monitoria de educadores ambientais da organização. Os grupos participam de aulas diferenciadas, que possibilitam o contato com um bosque de mata nativa, com variados microecossistemas de fauna e flora, animais de grande porte, seres peculiares (como cobras e anfisbênia – cobra cega) e aves migratórias. Na região não existe nenhum lugar em que se possa conviver com tantos microssistemas ecológicos.

Com tantos projetos, a fundação quer garantir a continuidade do Programa Ipezinho, que oferece atividades de educação complementar para 50 crianças de 4 a 6 anos. As atividades têm como foco a educação ambiental e o desenvolvimento da cidadania e de princípios éticos e valores, sobretudo da autonomia, cooperação e corresponsabilidade, identidade, respeito ao meio ambiente e a construção do ser crítico. Além disso, também possibilita o acompanhamento em saúde e de questões familiares.

As crianças atendidas são provenientes de famílias de baixa renda e frequentam a organização no período contrário à pré-escola pública (EMEI). Além das atividades pedagógicas e acompanhamentos, as crianças fazem duas refeições por dia na organização, balanceadas por nutricionista para garantir seu desenvolvimento ideal. Na região, não há nenhuma organização social que oferece atendimento no contra turno escolar para a faixa etária dos 4 aos 6 anos, que também é descoberta por programas governamentais em tempo integral.